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Marcelo Valle Silveira Mello
Por: Blood Monday, Jun. 09, 2008 at 3:53 PM

As declarações racistas foram feitas no Orkut, comunidade da internet em que as pessoas se comunicam em tempo real. Usando palavras pejorativas e várias ofensas, Marcello Valle Silveira Mello, que tem 20 anos, mostrava ser contrário ao Sistema de Cotas da Universidade de Brasília, que reserva parte das vagas para estudantes negros. Os comentários preconceituosos foram registrados durante três dias em que ele acessou comunidades na rede. Como não usou nome falso, foi fácil encontrá-lo.

Marcelo foi denunciado por uma internauta de São Paulo ao Ministério Público do estado. O órgão acionou os promotores de Brasília. Depois de ter dois computadores apreendidos pela polícia, o estudante que cursa Letras, na UnB, e Computação, na Universidade Católica, reconheceu em depoimento a autoria das mensagens. Mas, ele negou que tivesse a intenção de ofender os negros.

Nas citações menos pesadas, Marcello Valle Silveira Mello deu dicas, em tom de ironia, para quem quisesse se passar por negro e se beneficiar das cotas. Em uma delas, afirmou: "aplique cera no cabelo para ele ficar bem duro". Depois disse: "use gírias extraídas daqueles raps de favelados". Para o Ministério Público, declarações suficientes para denunciar Marcello à Justiça por crime de racismo.

“A pena prevista para o delito de racismo, quando praticado por meio de comunicação social e Orkut, é privativa de liberdade. É uma é pena de 2 a 5 anos de reclusão, em principio, pode ser sim condena”, afirma Marcos Antônio Julião, promotor.

Para o advogado Rodrigo Badaró de Castro, presidente da Comissão de Tecnologia da OAB/DF, crimes cometidos pela internet ainda são pouco denunciados, apesar da grande quantidade. Mas lembra que mesmo com a dificuldade de identificar os criminosos e com a rapidez com que as informações desaparecem é possível obter provas do crime.

“Existem medidas judiciais, quebra de sigilo eletrônico, no caso, para descobrir o endereço eletrônico. O que é importante frisar é que a internet não é um ambiente sem lei como muitos pensam. A liberdade é intensa e a facilidade de comunicação muito mais. Mas, ela está sujeita as limitações legais previstas no código penal, o que muda é o meio. Se uma pessoa acha hoje que está no Orkut falando mal de outra pessoas, atribuindo crime, difamando ou praticando crime de racismo, ela estará sujeito as penas da lei”, garante Rodrigo Badaró de Castro, advogado.

Marcello foi procurado para dar entrevista. Ele estava em casa, mas não apareceu na porta. A equipe de reportagem foi recebida pela avó dele, com quem mora na 204 Sul.

O juiz da 6ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça tem de acolher a denúncia para abrir processo e julgar Marcelo Vale Silveira Melo. O crime de racismo não prescreve, o acusado pode ser julgado e condenado em qualquer época. O advogado de Marcello, Pedro Rafael Campos Fonseca, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos telefonemas.

No Congresso Nacional, há vários projetos de lei para tipificar os crimes cometidos pela internet. Um deles torna crime o envio de mensagens indesejadas. A pessoa que se sentir prejudicada ou ofendida pela internet pode procurar qualquer delegacia e fazer uma denúncia.

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Marcelo Valle Silveira Mello
Por: Blood Tuesday, Jun. 24, 2008 at 2:22 PM

Testemunha de defesa de Marcelo Valle Silveira Mello, acusado de ter praticado crime de racismo no Orkut, foi ouvida na tarde desta terça-feira, 10 de junho, pela juíza da 6ª Vara Criminal de Brasília. A testemunha, que foi professor do acusado e é negro, disse que não sabia das denúncias contra o ex-aluno e nunca percebeu nenhum tipo de preconceito por parte de Marcelo.

A ação penal contra o estudante foi ajuizada pelo Ministério Público do DF, em agosto de 2005. Paralelamente a esta ação, foi instaurado um Incidente de Insanidade Mental, para avaliar as condições psíquicas de Marcelo, tendo o Instituto de Medicina Legal (IML), responsável pelo laudo psiquiátrico, concluído que o acusado não sofre perturbações de ordem psíquicas que o impeçam de ser penalmente responsabilizado.

Marcelo é aluno do curso de Letras da Universidade de Brasília (UnB), e acabou acusado de disseminar idéias racistas e agredir negros e afrodescendentes no Orkut (site de relacionamento via internet com hospedador nos Estados Unidos), durante discussões sobre as cotas raciais para ingresso na UNB.

O processo segue para alegações finais e depois para sentença.

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